wFolhetim Iluminados
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wterça-feira, abril 29, 2003


Racismo Alcoólico e Diplomacia PALOP

Caros amigos Iluminados, eu hoje ia de mota, ia muito rápido, e ia a
subir a Avenida da Boavista. A velocidade da viatura, aliada à chuva
miudinha e à minha fraca visão periférica devem todas ter conspirado
para me levar a pensar que vi o que não vi.

Será que vi mesmo um anúncio
a uma nova cerveja preta (Sagres ou Superbock) que rezava a seguinte
máxima:
"A preta para quem gosta de preta»??

Realidade ou ilusão óptica?
É que a partir de agora, e a ser verdade o que eu julgo ter visto,
aquele jovial momento de pedir um fino ao balcão de uma tasca qualquer,
vai passar a ser um delicado esforço de diplomacia PALOP.

Imagine-se o que será pedir uma cerveja "normal" e o empregado sugere:
-"Não quer experimentar a preta?" ao que nós respondemos: -"Não,
obrigado. Não gosto de pretas."

É que além de este equívoco poder vir a ser danoso para as nossas
futuras relações interraciais, imagine-se o que seria cometê-lo numa
tasca na Amadora, em Chelas ou na Damaia, apinhada até à porta de irmãos
de cor!! -"Cumo num gostá di prêta?"

Só faltava agora a concorrente (Superbock ou Sagres) lançar o slogan:
"Cerveja catinga para quem gosta de nharra!"

Este slogan que é uma vergonhosa reminiscência colonialista.

As cervejeiras poderiam apostar, por exemplo, em algo deste género:
"A cerveja de cor para pessoas sem complexos raciais e que gostam de
experimentar coisas novas".



posted by Tomás at 12:36 da manhã


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Nunca tive dúvidas que o veto da França escondia outros interesses no
Iraque que não a simples vontade de agir sob a alçada das Nações Unidas.
Se se provarem estas descobertas o senhor Chiraq que comece a escavar
uns bunkers por baixo da Torre Eifel que a França será o próximo alvo,

A França passou ao Iraque informações sobre a guerra:



França ajudou o Iraque a boicotar uma conferência sobre os direitos
humanos:




posted by Tomás at 12:34 da manhã


wdomingo, abril 27, 2003


O Segredo de Joe Gould

Joe Gould é um vagabundo de Nova York, o último dos boémios, que tem um único objectivo na vida: viver o suficiente para terminar a sua grande obra, “A História Oral do nosso tempo”.

O seu relato, disperso por centenas de cadernos, dispersos por inúmeros esconderijos, tabernas, casas de amigos, etc., cobriria a verdadeira história contemporânea de Nova York. A história das pessoas comuns, dos marginais, das prostitutas, dos boémios, dos artistas do submundo intelectual, vagabundos com quem Gould se havia alguma vez cruzado e conversado.

A História Oral, consistia numa amálgama anárquica (tal como a vida) de histórias como a da velha búlgara que tinha sido gerente de um bordel e traficante de droga a mando do marido, antes de chegar a cozinheira num hotel barato; ou aquela de Side-Bet Benny Atlschuler, dono de um restaurante, apostador em corridas de cavalos, que morreu de tétano depois de ser ter espetado com um picador de gelo enferrujado; ou ainda a história que ouviu de um marinheiro acerca de leprosos bêbados que dançavam e cantavam numa praia das Caraíbas; ou o seu relato pessoal do tempo que passou em reservas de índios a medir-lhes o crânio, com o intuito de estudar o apuramento das raças; continha também divagações sobre as pulgas dos albergues de sem-abrigo, o fecho éclair, o efeito castrador que a máquina de escrever tem no escritor e a importância dos tomates no descarrilamento de comboios no sul dos estados unidos; contava ainda os mexericos sociais, aventuras sexuais e debates intelectuais dos habitantes da Village.

A História Oral seria um monumento literário e histórico, um mapa à escala real, da Nova York de meados do sec. XX. Não admira que poetas reconhecidos como Ezra Pound e E.E.Cummings se tenham interessado por este projecto.

Joseph Mitchell é o jornalista que celebrizou Gould num artigo para a rubrica “Perfis” da revista The New Yorker. Esse artigo é reproduzido no primeiro capítulo deste livro, “O Professor Gaivota”.

A sua escrita é bem calibrada, jornalística mas não sensaborona, criativa e elegante. Faz-nos andar com Joe Gould na ponta dos dedos da primeira à última página, ao ritmo frenético da sua existência: “Vivo mais num ano do que o comum dos mortais em dez.” Rimo-nos com ele, irritamo-nos, desiludimo-nos, amamo-lo e rejeitamo-lo, ao sabor da pena de Mitchell. Devorei-o numa tarde e sei que um dia voltarei a pegar nele, de tal forma apaixonou-me a sua leitura.


Após a morte de Joe Gould, em 1957, Joseph Mitchell decidiu revelar-nos o seu segredo. Para o descobrirem terão que ler o segundo capítulo, aquele que dá o nome ao livro.


TomaZ



posted by Tomás at 8:32 da tarde


wsegunda-feira, abril 21, 2003


Noticia num fórum anarquista qualquer:
"A guerra de agressão contra Cuba, iniciada há quase meio século pelos EUA, não tem limites, tendo recorrido a acções políticas, militares, económicas, biológicas, diplomáticas, psicológicas, propagandísticas, de espionagem, sabotagens, actos de terrorismo, organização e apoio a bandos armados e grupos mercenários clandestinos, aliciamento à emigração e tentativa de assassinato dos líderes cubanos. As vítimas directas dessas acções ascendem a 3.478 mortos e 2.099 incapacitados. Em termos materiais, os danos estimam-se em mais de 121 mil milhões de euros."

"aliciamento à emigração"???
como é que isso se faz?
"Anda cá meu lindo, que aqui deste lado da fronteira vivemos muito melhor!" - Estes Malvados Imperialistas!
TomaZ

posted by Tomás at 2:01 da manhã


w


Albert Cossery - Um autor mais que (des)aconselhado, referido pela Cristina na Janela Indiscreta
ahhh... Cristina, sua malvada! Isso de me relembrares o Cossery foi uma terrível e imperdoável manigância.
Eu até já tinha arrumado todos os meus Cossery´s num caixote selado, juntamente com os Caeiros.
Esses dois infames preguiçosos, que nos atraem, a nós pobres yuppies suburbanos, para as lânguidas paisagens solarengas e para a preguiça de verdadeiros Aristocratas Marginais só deveriam ser permitidos na reforma, ou muito cedo na vida! Agora não. Tenho 25 anos, tenho de trabalhar, ganhar dinheiro para viajar e só aí descansar. Tenho de fazer isto tudo e muito mais, e tu mandas-me com o Cossery?
(obrigado. pssst!)
TomaZ


posted by Tomás at 1:56 da manhã


wsábado, abril 12, 2003


O meu amigo Gil Campilho abriu o livro no Público.
Realmente é escandaloso o silêncio do nosso Nobel, que tão fácilmente critica o
império americano (que por acaso é uma democracia) e tão hipocritamente
nada diz em relação à condenação, pelo regime de Fidel, dos 7 escritores
e jornalistas cubanos.
Parece que ao Saramago já não lhe bastava ser mau escritor e viver numa merda de um mundo (citanto o próprio), agora tem de
mostrar ser uma má pessoa exilado numa merda de uma rocha vulcânica!

Com ele e com as centenas de pessoas que há dois anos se reuniram em
matosinhos a aplaudir o ditador Fidel e a pavonearem-se com t-shirts do
che (cada uma comprada a 2/3 contos,que paradoxo!), engrossam-se as fileiras dos que criticam tudo o que tenha
sotaque yanque ou sabor a BigMac!
Tenham vergonha.

Começa a haver um excelente "opinion maker", práticamente infalivel:
pensar exactamente o contrário do que aquilo que a maioria das pessoas
pensa!

posted by Tomás at 12:50 da manhã


wsexta-feira, abril 04, 2003


A minha avó deixou-me ir pilhar a sua biblioteca. A minha avó não está bem, e eu senti-me um pouco abutre ao despir aquela casa mítica de algumas das suas lombadas familiares.
Mas era eu, ou o alfarrabista.

Um livro não é só o que está lá escrito. Há toda uma espessura humana que o persegue. O livro está envolto de quem O nos oferece, de onde O compramos ou encontramos, de quando O desembrulhamos (anos, natal, etc.), daquele contacto inicial quando rápidamente O folheamos pela primeira vez apenas para sentir a aragem das suas folhas prometidas, e, finalmente, do momento decisivo em que nos sentamos e O lêmos.

A prova de que um livro não é só o que está lá escrito, tive-a ao ler o “Conto Azul” da Marguerite Yourcenar, que retirei hoje mesmo da biblioteca da minha avó.

Ao lê-lo não me consegui abstrair do facto de que só o estou a ler porque a minha avó morrerá em breve e, consciente disso, abriu-me as portas da sua biblioteca.

Foi com o pensamento na minha avó e na sua morte que li estas passagens do “Conto Azul”, que tomaram para mim um sentido íntimo, único, irrepetível:

“O que lhe tinha agradado nela era precisamente o que devia desaparecer...”

“Viu como se o comboio atravessasse as paisagens do seu futuro.”

“Vencido pela vida que tem tendência para vazar todos os seres em moldes idênticos.”

“Tinha a impressão de deixar-se ir molemente para aquela vida vulgar.”

“A morte como a única saída para alhures.”

P.S.- Nunca mais abrirei o “Conto Azul”, pois não quero vir um dia a negar, pela frieza da razão, o momento intenso de leitura emocionada que acabei de viver.
Tomás


posted by Tomás at 12:29 da manhã