wFolhetim Iluminados
Se tiverem sede dêem aqui um saltinho: http://tiomas.no.sapo.pt mail: tiomas@yahoo.com - e agora para algo completamente diferente: http://viadaverdade.blogspot.com


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wsexta-feira, março 28, 2003


Alguém me sabe dizer o que é que aconteceu ao sr. Carlos Cruz?Começo a ficar preocupado, pois nunca mais ouvi falar dele.

Será que CC aproveitou esta confusão toda da guerra, e com a ajuda de um ex-casapiano guarda prisional, desapareceu no meio de uma tempestade de areia?

Será que o vamos ver a fazer de escudo humano no palacio presidencial de Saddam, de forma a redimir-se do mal que fez?

Será que os sr´s. das televisões não sabem que o sr. Carlos Cruz é uma figura mediática e como tal deve aparecer com regularidade nos nossos televisores?

Eu não sei se o sr. Saddam está vivo ou morto, se os seus generais têm armas quimicas ou não, se a guerra vai demorar 1 semana, 1 mês ou 1 ano. Nada disso me afecta realmente, estou tão insensibilizado como qualquer outro europeu aos horrores do mundo filtrados pela televisão.

Mas o meu mundo colapsa, as minhas certezas são abaladas, as minhas crenças desfazem-se, se se passa uma semana sem que eu veja o sr. Carlos Cruz na televisão. Não haverá ninguém munido de videofone, interessado em descobrir "Onde está Carlos Cruz"?


posted by Tomás at 1:03 da manhã


wterça-feira, março 25, 2003


Os portugueses não têm graça

Quem está familiarizado com as séries da Britcom na RTP2 sabe bem o que é o humor inglês. Sabe do que é que se riem os ingleses, e sabe também que Portugal (e o mundo) está dividido entre aqueles que gostam do “The Office”, do “Alô Alô”, do “Mr.Bean” das várias versões do Blackhader (prefiro a que R.H. é pajem) e, claro, dos míticos Monty Pyton, e aqueles que não gostam de “none of the above”.
Entre estes últimos há uma casta muito particular: aqueles que gostam dos Malucos do Riso, e dentro desta casta, uma subdivisão de inveterados amantes de Revista à Portuguesa (uma seita de fanáticos, felizmente em vias de desaparecer por combustão espontânea).

Há também aqueles para quem ter graça é sinónimo de ter um bom repertório de anedotas, de preferência condimentado por uma boa expressão corporal. Este é o tipo, “Animal de Palco” e, normalmente, espécimes deste tipo pululam nos casamentos e festas, onde, também normalmente, caem sempre na cadeira ao lado da minha.

Os portugueses não têm graça. Têm graças, piadas, momentos engraçados.
Os ingleses têm sentido de humor. Têm toda uma vida, um campo imenso, de que se rirem

Para os portugueses rir é fazer troça de palito na boca, é acentuar as diferenças, mostrar a nossa superioridade em relação ao visado. O português gosta de rir, mas nunca de si próprio, que “comigo ninguém goza.”

O português não se sabe rir das suas diferenças, nem das suas particularidades e muito menos das suas fraquezas.
O português está ocupado a coçar os tomates, a apanhar a mulher na cama com o melhor amigo e a soluçar de bêbado numa esquadra de policia. É este, e pouco mais, o universo das piadas de almanaque portuguesas.

Para o português há momentos em que se pode rir e momentos em que não se pode rir. Em Portugal, há uma plaquinha em cada esquina a indicar um destes dois estados de humor “Rir”/“Não Rir”. E nós, cordeirinhos bem comportados de Salazar e da nossa Senhora, ou rimos ou não rimos, conforme nos mandam.

Por outro lado, para os ingleses, rir não tem limites, nem no tempo, nem no espaço (vejam os debates no parlamento inglês!!).
Os ingleses, riem-se das suas normas estúpidas, das suas instituições bacocas, da sua maneira desajeitada de dançar. Querem coisa mais engraçada que um homem a correr nú a querer abraçar a rainha de inglaterra numa cerimónia oficial? Pois, aconteceu.

Para os ingleses, o rizível não tem limites, não há um campo fora do alcance da gargalhada, não há coisas com as quais não se brinca. – por cá esse “out of bounds” é a religião, as crenças em geral, a honra, a dignidade, a respeitabilidade, o sentimento patriótico, a família, o clube de futebol, o partido, a masculinidade, a namorada, o cão, o gato, o piriquito, a dona Amália, o Eusébio, o Figo, o dom Afonso Henriques, o fado, etc., etc., etc...

Os ingleses, como os portugueses, riem-se dos que são diferentes (os seus alvos favoritos são, aliás, os franceses), mas ao contrário de nós, riem-se da diferença em si mesma, da piada que nasce do facto de sermos todos tão diferentes e não das diferenças em particular.

Os ingleses têm autoridade para se rirem de tudo à sua volta, porque são os primeiros a rirem-se deles mesmos.

Os ingleses riem-se de tudo porque há muito que perceberam que tudo é ridiculo, que viver é ridículo, que nascer é ridículo, que morrer é ainda mais ridículo.

Há alguma coisa mais engraçada que a dignidade, a respeitabilidade, ou a honra de alguém? Porque, no fundo, o que é que significa a dignidade e a respeitabilidade? Conceitos vazios, que não significam nada, a não ser o que as pessoas põem lá dentro.

Há coisa mais inofensiva (e ao mesmo tempo mais hilariante) que nos rirmos das crenças e dos costumes de alguém? Sobretudo quando esse riso não pretende magoar, mas sobretudo realçar as diferenças entre nós, fazer ver que, apesar de estarmos todos no mesmo barco e sermos todos uns para os outros, somos todos apenas “uns” (unidades)?

É por isso que acho piada às procissões dos padres e acólitos na Páscoa, é por isso que acho piada às lenga-lengas repetitivas das missas e às respeitáveis congregações religioso/políticas por aí espalhadas, (acho piada à Opus e à Maçonaria, mas já não acho piada à Igreja Universal e aos Jeovás), é por isso que acho piada à seriedade com que o bacôco do J.Sampaio se dirige à nação bacôca portugal, é por isso que acho piada aos soldadinhos em continência numa parada militar (para quando um militar nú num juramento de bandeira??), é por isso que acho piada aos comícios do PCP. É por isso que não acho piada aos palhaços (a entreterem plateias de não crianças, entenda-se), é por isso que não acho piada às sessões de anedotas, é por isso que não acho piada à estupidez e à ignorância, porque o humor é para pessoas inteligentes, que para os estúpidos está cá o trabalho!
TomaZ







posted by Tomás at 1:49 da manhã


wsábado, março 22, 2003


Eduardo Lourenço em artigo no Público - "A única coisa que Saddam Hussein não entregou aos inspectores das Nações Unidas foi a escova de dentes."
O Iraque lançou mísseis Scud de longo alcance sobre o Koweit. Saddam negou aos inspectores a existência destes mísseis, proibidos pelas resoluções da ONU.

A única dúvida que resta é: Com que é que EL lava os dentes??
TomaZ

posted by Tomás at 2:50 da manhã


wsegunda-feira, março 17, 2003


Mais um argumento a favor da guerra?
Esta situação de ante guerra é desesperante. Anda tudo com pezinhos de lã, a ver que passo em falso vai dar o seu directo oponente, resultando que ninguém faz nada, ninguém diz nada acerca de nada.

Fazem falta as bujardas dos ministros das voltas ao mundo, ou os manifestos de deputados descontentes com a situação literária do seu distrito - dois momentos altos de imbecilidade mediática actual.

O marasmo (tão português como o tremoço) impregnou o nosso quotidiano e ameaça ficar, alastrando-se às nossas cabeças, às nossas conversas, às nossas exposições de pintura, aos nossos recitais de poesia, aos nossos jantares entre amigos, etc.
Tenho medo de sair de casa e não acontecer nada, de perguntar a alguém o que tem feito e esta responder-me nada. Nada, nada, nada...

E há tantos temas fervilhantes por aí, a quererem saltar cá para fora, a quererem ser discutidos, examinados, vilipendiados, ridicularizados.

Alguns exemplos:
Temos o dr. Manuel Monteiro, de caderno A4 em riste, aos pulinhos pelas ruas e avenidas de portugal, à cata de assinaturas para o seu novo partido politico (Nova Demagogia ou algo assim). "Mas eu já estou inscrito no PP" - "Não faz mal, inscreve-se agora no MM e na altura de votar põe duas cruzinhas."

Temos também o presidente da Guiné, o filósofo Kumba Iála, que é uma constante fonte de hilariantes inequidades.

Temos o Morais Sarmento - é só alguém se lembrar de o entrevistar e - Aqui vai Bomba!

Temos que ir para a porta do estabelecimento prisional da PJ dar o nosso apoio a um Carlos (o Cruz) e insultar outro (o Silvino).

Temos a Ana Gomes e temos sempre o Saramago.

Temos que agora vamos todos morrer de gripe esquezita (Pneumonia Atípica) e no verão morreremos todos com um escaldão.

Temos um espetáculo de revista à portuguesa, no Sá da Bandeira, que eu gostaria que os Iluminados fossem assistir em peso (barrigadas de riso); e no mesmo registo temos o Correio da Manhã e os jornais desportivos

Temos a Julia Pinheiro, a Teresa Guilherme, a Judite de Sousa, a Nela Moura Guedes, a Samantha Fox e a Romana, a Àgata e (mais uma vez) a Ana Gomes; e no mesmo registo temos - OH MEU DEUS, se temos - A SIC Mulheres!!! - queridas Iluminadas não acredito que nada têm a dizer sobre este canal que se diz representativo do vosso género. A NTV foi último canal a representar um género (o género parolo) e foi o que foi: Calaram-na! Será que ninguém cala estas Gaijas? Será que agora temos vários tipos de "fêmeas"? As mulheres, as gajas e, agora, as Sic Gaijas - "moderna, independente, solteira/encalhada, perigosamente perto da menopausa e ainda sem prole anunciada."

Caros Iluminados, com tanto tema quente para atacar, - o RT que me desculpe, mas está é a verdadeira essência dos Iluminados - em "stand by" devido a toda esta tensão, será este mais um argumento a favor da guerra?

posted by Tomás at 1:44 da manhã


wdomingo, março 16, 2003


Os "pacifistas" do Blog de Esquerda dizem: «Bombing for peace is like fucking for virginity».

Os "belicistas" respondem: Fucking for peace is like bombing for tranquility

posted by Tomás at 12:02 da tarde


wsábado, março 15, 2003


AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
Estes gajos abrem o livro.
Ora leiam:

Viva a Guerra!
Vamos lá deixar-nos de mariquices ético-político-ideológicas e vamos ao que interessa. Comecem lá a porra da guerra de uma vez por todas, a ver se o petróleo baixa de preço! Assim não dá, bolas! Fui agora atestar o depósito e finalmente fiquei convencido da justeza do nosso lado. Bora lá prá guerra, partir aquilo tudo e abrir umas franchisings para a ESSO e para a BP (a ELF fica de fora por motivos óbvios).

Blog dos Marretas


posted by Tomás at 11:32 da tarde


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Já não se pode pensar à vontade. Desta vez o ataque vem de um tal Alberto que crítica as minhas posições "belicistas" que defendi num site anarquista qualquer.

Diz o Al: "A sua estratégia é clara: manter no ar a notícia a partir dos fantasmas que habitam a sua cabeça mal nutrida. Dar-lhe trela é alimentar o seu propósito provocatório. É suficientemente inteligente para saber que tipo de servicinho aqui vem fazer. Por isso, não há contra-argumentos que valham. Não é uma discussão argumentativa que lhe interessa mas tentar vender a tralha do fervor belicista que o anima. Mas desiluda-se! Até o PNR já fez saber que não está com os propósitos belicitas dos EUA e dos lacaios que os apoiam. Tem que ver se se põe em dia com as hostes doutrinárias a que por certo pertence!"

Caro Alberto:
fui provocatório apenas até ao ponto que quis provocar discussão. Algo que parece não existir neste site, em que todos afinam pelo mesmo diapasão acrítico.
Acredito mesmo naquilo que disse, e penso que não se encontra aí nenhum fervor belicista.

Lacaio, seguidista, alinhado, etc, são epítetos que servem melhor a quem não quer discutir (dar trela) como tu, do que aqueles que apresentam, sem medo, aquilo que defendem e estão dispostos a ouvir o "outro lado" de modo a cimentar ou a abandonar as suas posições.

Esse tipo de intolerância que demonstraste é a mesma que (suponho) atacas, quando críticas a posição arrogante dos "estates".

Mas o pensamento crítico é algo pouco comum, pelo que se entende perfeitamento a tua atitude.

Deves estar mais habituado a afirmar a tua posição em comícios e manif´s do partido, bem entrincheirado e defendido por cabeças pensantes que fazem o trabalho difícil (pensar) deixando para ti (e outros camaradas) o trabalho mais fácil - gritar e agitar bandeiras.


posted by Tomás at 9:44 da tarde


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Hans Blix: "...one must not disregard and forget the things that are breeding these terrorist movements. Why do they become terrorists? Why do they become so desperate they are willing to blow up airplanes or buildings? Therefore we have to look at the social problems as well."
o resto da entrevista a Hans Blix aqui

Terão sido problemas sociais que levaram um multimilionário a financiar o 11 de setembro?
Serão os EUA, o capitalismo e a globalização, as verdadeiras causas do terrorismo.
Julgo que não, julgo que a resposta é bastante mais complexa (evidentemente que não sei a resposta) e que o combate aos problemas sociais está num plano completamente diferente do combate ao terorismo. Confundir os dois é contraproducente para ambos.
TomaZ


posted by Tomás at 3:46 da manhã


wsexta-feira, março 14, 2003


O elemento aglutinador - comentando um artigo do Eduardo Lourenço, o Vasco Pulido Valente fala-nos da inevitabilidade da existência de um outro, que opondo-se, confere-nos identidade. Se "nós" somos a Europa, os outros já foram a URSS e hoje em dia são os EUA. Uma das possiveis respostas ao antiamericanismo que prolifera: A URSS desapareceu e, na ausência de um elemento aglutinador, a América acabou por se tornar a encarnação do Mal. Se alguma coisa define hoje a «Europa» é o ódio à América.

Enigmático é artigo do Prado Coelho: Se aceitarmos que não há qualquer dúvida que tudo depende hoje da força dos Estados Unidos da América, nesse caso sabemos desde já que teremos de estar sempre, mas sempre, do lado dos seus dirigentes, façam eles o que fizerem, defendam eles o que defenderem. A escolha é simples, mas é preciso muito bom estômago para a aceitarmos.

E pouco comum é ver alguém com coragem de escrever um artigo "pró-americano" num site anarquista radicalmente "anti-americano": Continuo, (2003-03-14), a desejar e esperar que esta guerra não se faça mas duvido se para o povo de Iraque e para o mundo não seria melhor a “Paz Americana” do que a actual ditadura do Iraque.



posted by Tomás at 12:48 da tarde


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Segundo o RT, as coisas más servem para darmos o devido valor às coisas boas...

Agora sei porque é que morre tanta genta nas estradas portuguesas.
Para que eu aprecie devidamente a feijoada à brasileira que vou comer amanhã.

posted by Tomás at 3:14 da manhã


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Quanto tempo é que ainda poderemos aproveitar as “borlas” da imprensa online?
Uma coisa tenho como certa, quando isso acontecer, vai-me passar completamente ao lado.
Na net há cada vez mais possibilidades de nos informarmos, é só uma questão de procurarmos. Temos, hoje em dia, a possibilidade de escolher as nossas próprias fontes, formar o nosso próprio jornal diário.

Um jornal convencional, serve, entre outras coisas, de "redutor de complexidades", abre os sulcos por onde, supostamente, devem passar os nossos pensamento, mostra-nos o caminho e nós seguimos atrás – quase sempre, os assuntos sobre os quais pensamos, a maneira como pensamos, as opiniões que críticamos ou defendemos, vêm nos jornais (e noutros media, evidentemente).

Um jornal que conhecemos bem, raramente nos surpreende. Lemos por alto uns artigos, saltamos outros, aprofundamos outros. Quantas vezes não nos basta ler o título e o autor de certa noticia/crónica em determinado jornal, para ficarmos com uma muito boa ideia do que está lá escrito?

Frequentemente, essa familiaridade com um jornal pode servir apenas para consolidarmos as nossas próprias crenças, afundarmo-nos nos nossos próprios dogmas e certezas.

Uma mente crítica precisa de ideias frescas.
Precisa de partir à aventura, descobrir autores novos, jornalistas novos, pensadores novos, a um ritmo (muitas vezes) quase diário, desembolorar ideias, conhecer novas perspectivas e abordagens.

Sim, sem dúvida que este procedimento é um pouco mais confuso e bastante menos cómodo que abrir o jornal do costume, com as ideias do costume, no sítio do costume... mas também é bem mais divertido.

É um prazer enorme pensarmos por nós próprios. E pensando, sozinhos ou confrontando os nossos pensamentos com os dos outros, descobrir os erros que cometemos ao pensar.
No fundo, é isto que nos torna únicos, pensar.

TomaZ


posted by Tomás at 2:14 da manhã


wquinta-feira, março 13, 2003


los fura del baus vieram ao Porto.
O resultado? Uma erecção colectiva. Pouco mais.

O objectivo deste espetáculo, assumido por esta companhia catalã, era chocar.
Esse objectivo falhou rotundamente, pois os fura parecem não saber que o sexxxo, mesmo servido num espaço pouco usual (o coliseu do Porto, casa quase religiosa de uma seita, essa sim, pornográfica) já só choca alguns elementos das juventudes partidárias de direita, e uma ou outra beata da velha guarda.

Os constantes apelos à liberdade (do) pessoal e ao fim dos preconceitos já chateiam.
Será que estes artistas pós-modernos não sabem que existem outras formas de fazer arte para além daquela que apenas pretende confrontar as pessoas com a sua apatia e inanição, próprias de um indivíduo diluído num grupo (neste caso o público do coliseu)?

"Aqui ninguém pensa." - dizia uma das actrizes para a plateia pouco interactiva.
Logo a seguir, era vê-la, toda interactiva, a levar com um banho de esperma na cara.
"Isso dá que pensar." - terá pensado a plateia.
TomaZ


posted by Tomás at 1:29 da manhã


wterça-feira, março 11, 2003


tenho mantido uma discussão interessantíssima com o meu amigo JB que, a meu ver, define muito bem os dois lados da discussão sobre a guerra no Iraque.
Ora leiam lá:

A questão é a falta de
legitimidade
para uma intervenção. Quem somos nós para decidir do futuro dos outros?
Somos melhores? Talvez, mas isso não nos dá o direito de intervir
isoladamente, só porque discordamos com certos acontecimentos.

Quem decide o q é bom ou o q é mau? Não estamos aqui a falar de um
choque de
culturas? É muito complicado gerir estas questões, mas é ainda mais
complicado querer resolvê-las sem apoio, sem sustento - e não estou a
falar
de apoio militar, mas sim dogmático, esclarecido, humano e respeitador
da
dignidade humana.

É muito fácil dizer q o saddam é um assassino, mas com q legitimidade
podemos actuar? Julgo só ser possível uma actuação no âmbito das Nações
Unidas, é só isso q digo.

Como é compreensível sou contra a guerra em geral (não esta em
particular) e
serei o último a defendê-la, no entanto sei q é mais um meio de justiça,
no
entanto é o último e deve ser evitável a todo o custo, o q me parece
estar a
acontecer.

Que fique outra coisa bem esclarecida. Não sou contra os americanos, nem
nada q se pareça, sou no entanto contra algumas opções tomadas, tanto
por
eles, como por outros - seja a nível económico, a nível militar,
cultural, o
q o valha.
Obviamente q a minha menção em toda esta discussão aos americanos se
cingia
à administração bush e não aos americanos em geral.

Tenho um grande respeito pelos americanos, no entanto não me parecem
ainda
um povo amadurecido como nós europeus, actuando um pouco de forma
descuidada
e desrespeitosa e com interesses escondidos, pouco transparentes, com
esquemas e subterfúgios. Mas é a velha história da conspiração.

JB



posted by Tomás at 11:56 da tarde


w


J:
Muito bem. Já delimitamos a fronteira entre as nossas posições. Assim é
mais fácil discutir.

Repara que concordas com o meu argumento, logo, como eu, também pensas
que o Saddam deve ser destituído. No entanto, apesar achares moralmente
correcto que ele seja destituído, embates no problema da legítimidade,
que quanto a mim é um falso problema, pois a moralidade sobrepõe-se à
legitimidade/legalidade. Se não repara:
Quando perguntas,
"Quem decide o q é bom ou o q é mau? Não estamos aqui a falar de um
choque de
culturas?
estás a usar um perigoso argumento relativista. Há valores que são
universais e reconhecíveis como bons em qualquer parte (a liberdade e a
justiça são dois deles).
Além do mais estás a ser incoerente com a tua maneira de pensar.
Conhecendo como te conheço, tenho a certeza que te encontraria na
primeira fila de uma manifestação contra a condenação à morte por
lapidação, de uma mulher supostamente adúltera no Burúndi; ou contra
aquela prática tão cultural como a excisão clítorial, frequente em
muitos países africanos.

Não acredito numa incomensurabilidade de paradigmas culturais e acho
perfeitamente legítimo criticar e actuar sobre culturas que promovam o
sofrimento desnecessário de seres humanos. Não acredito que estejas
pronto a seguir com o teu argumento relativista até às últimas
consequências, simplesmente porque é extremamente cruel!

Quanto a mim, há guerras justas e guerras injustas. Esta guerra em
particular (à semelhança da II guerra mundial, em que morreram milhões,
mas foi uma guerra justa), quanto a mim, é uma guerra justa.
Se é obvio que todos nós preferimos a PAZ, julgo que nesta encruzilhada
da história devemos perguntar: A que preço conseguiremos manter esta
PAZ? E em que termos? Durante quanto tempo?

Agora, neste caso específico, penso que se deve minorar o sofrimento das
populações afectadas pela guerra. E essa é que deveria ser a questão.
Como o fazer? Visto que, quanto a mim, destronar Saddam é essencial e a
guerra é a única maneira de o fazer.

Fico contente de poder discutir estas questões tão delicadas
civilizadamente,
abraços, Tomás




posted by Tomás at 7:32 da tarde


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O nosso atento e opinativo leitor JB escreveu-nos o que se segue.
Penso que se refere à minha última intervenção acerca dos contributos da esquerda,
mas acho que também pode referir-se perfeitamente a esses mesmo contributos:

"Infelizmente não são estas intervenções nem brincadeiras q resolvem os
problemas. Acho q brincar com temas destes só leva ao laxismo das
pessoas!
Acabem com cinismos e hipocrisias."
J.


posted by Tomás at 1:39 da tarde


wsegunda-feira, março 10, 2003


Aqui têm uma contribuição do Blog de Esquerda para a discussão acerca da guerra!!
Fantástico, propõem poemas enquanto criticam a actuação de Bush.
Será que preferiam ter um presidente do mundo, que em vez de tentar implementar politicas que assegurem a paz mundial, lesse poemas??
Acredito que não, mesmo que por trás dessas politicas estejam interesses económicos - como já escrevi, acredito que uma economia mundial estável = situação geopolítica estável - e mesmo que esses poemas fossem de uma profundidade e originalidade criativa nunca antes vista - o que não é o caso do poema em causa - parece-me óbvio que a poesia só serve os interesses pessoais de quem a lê e raramente resolve qualquer problema, antes pelo contrário.

Afinal, todos estes manifestantes pela paz são contra o quê? Contra uma guerra, ou contra a hegemonia americana?
Claro que uma hegemonia americana trará outros problemas, outros atentados à liberdade - sou longe de ser apologista de bush ou do Tio Sam - mas isso são outras guerras, outras manifestações.
Ao manifestarem-se, neste caso concreto contra as politicas concretas americanas, parecem estar a querer dizer que a oposição a essa hegemonia deve partir de regimes como o iraquiano.


posted by Tomás at 11:58 da manhã


wsábado, março 08, 2003


Globalização pela PaZ
No que respeita à guerra, o discurso da esquerda portuguesa começa realmente a irritar-me. Eu que julgava (que ingénuo era!) que demagogia e populismo eram apanágio da direita, ao ouvir os senhores do BE, PCP e PS, compreendo que Paulo Portas e companhia ainda têm muito que andar

Neste assunto em particular, vejo a esquerda a afinar pelo diapasão da extrema direita, na maneira irresponsável como ataca os Estados Unidos, com epípetos como "O grande Satã", "O Império McDonald", ao mesmo tempo que se refere ao seu presidente democraticamente eleito, com mimos como "Ditador Sanguinário" e outros que tal.
Quem usa estes adjectivos para nomear uma democracia livre e o seu presidente só o faz com o intuito de tirar demagogicamente dividendos políticos. De outro modo, como qualificariam Saddam, Mobutu e o regime norte-coreano? (Sim, já sabemos Bernardino...)

Claro que o Bush é um pateta, os americanos também e o que eles todos querem, acima de tudo, é defender os seus interesses no mundo e aplicar uma economia capitalista à escala mundial. Mas pergunto-me: uma economia estável não se reflectiria num mundo estável?

Por outro lado, que soluções apresenta a esquerda para desarmar o Iraque? (para além das manifestações neo-hippies, dos concertos “Salvem o Mundo” e dos hinos “Todos pela PaZ) Ou esse não é um valor objectivo? Não é uma mais valia libertar um povo (neste caso vários povos) de um regime sanguinário?
Se a esquerda quer mudar o mundo e ao mesmo tempo impedir a guerra, não pode ser hipócrita como tem sido até aqui, não pode simplesmente dizer NÃO e fechar os olhos.

Proponho um cenário absurdo:
E se agora os EUA recuassem. Se de repente todos os soldados estacionados no golfo fossem para casa e o sr. Saddam fosse deixado no poder. Será que as ruas das cidades europeias se encheriam de manifestantes a gritar, a dançar e a cantar pela PaZ no Iraque? Não. O nosso conformismo europeu falaria mais alto, entrariamos todos num mutismo pequeno-burguês e o sr. Saddam continuaria por lá a fazer das suas, aos seus e aos curdos.

Sempre evitei esta dicotomia esquerda/direita. Considero-me ambidextro, no sentido em que me posiciono perante os problemas em particular, sem nenhuma carga partidária ou ideológica em cima, na altura de tomar uma posição. Mas os maiores abusos e irresponsabilidades, quanto a este assunto, têm vindo (infelizmente), da esquerda.

Sinceramente, espero que se consiga evitar esta guerra, pelo menos agora que o trabalho dos inspectores no terreno parece estar a ser produtivo. Mas e depois de Saddam desarmado?

A ingerência (militar, politica, económica, etc.) de um país ou força multinacional num regime soberano (mesmo que despótico), parece ser um tabu para a esquerda, (o BE põe completamente de parte o recurso à guerra, em qualquer circunstância), não o é para a ONU, para mim também não, nem me parece que seja um tabu para o povo iraquiano oprimido? Imaginem o que era estarem presos injustamente e ninguém cá fora fazer nada para vos libertar!

Acredito que existem valores essenciais que, uma vez reprimidos, afectam negativamente qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, com qualquer grau de instrução. Um deles é a liberdade.

Quanto a mim, retirar Saddam do poder e instalar um regime democrático é prioritário. Porém, há que fazê-lo sem o recurso a uma guerra precipitada com inimagináveis consequências humanitárias. Como? Enfraquecendo o regime, pressionando-o, incitando movimentos de libertação na própria população iraquiana, ajudando-a sustentávelmente (i.e. com ajudas concretas ao desenvolvimento), enfim deixando actuar a Globalização.
TomaZ





posted by Tomás at 3:23 da manhã


wquinta-feira, março 06, 2003


A Janela Indiscreta
e se querem serviço público e não têm, não se queixem.
têm aqui serviço privado, exaustivo e até mesmo crítico.
Quais Acontece!...

posted by Tomás at 1:03 da tarde


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Sim senhora, isto é que é serviço público.
Agora no fim dos telejornais da RTP, o JRS ensina-nos a escrever bom português.

"Coser (uma meia) é com S ou é com Z?"
Ninguém acertou. É com C! Além do mais, já ninguém cose meias. Isso é coisa de pobre. Compra-se novas!

Eu por mim preferia quando no fim dos telejornais punham imagens do último desfile da Fátima Lopes ou do YSL colecção topless - só pela cara sôfrega que o JRS fazia no fim, claro!
"Diz-se Sôfrego ou Patêgo?"

posted by Tomás at 10:08 da manhã


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Dois poemas retirados de dois blogs portugueses. O primeiro encontrei no blog de esquerda - representativo da confusão mental da esquerda portuguesa, ou apenas algo que se perdeu na tradução do José Alberto Oliveira? - o segundo, do Tolentino Mendonça, saquei-o do Blog do Possidónio Cachapa .

ESCRITO NA PAREDE DE UM MOSTEIRO

Rejeitaram a vida procurando a Via. As suas
pegadas diante de nós.
Decisão inabalável: oferecer os pensamentos,
destroçar os corpos.
Julgando-o enorme um grão de milho engana-nos
sobre o Universo.
Julgando-o pequeno o Mundo esconde-se na
ponta de uma agulha.
Antes de ter o ventre cheio a ostra pensa na nova
acácia.
O âmbar, quando se deposita, recorda ter sido um
pinheiro.
Se acreditarmos nas palavras escritas nas folhas
indianas
Ouviremos todo o passado e o futuro num toque
do sino do templo.
Li Shang-Yin (Tradução de José Alberto Oliveira)


Tolentino Mendonça

"UMA COISA A MENOS PARA ADORAR
Já vi matar um homem
é terrível a desolação que um corpo deixa
sobre a terra
uma coisa a menos para adorar
quando tudo se apaga
as paisagens descobrem-se irreconciliáveis

entendes por isso o meu pâncio
nessas noites em que volto sem razão nenhuma
a correr pelo pontão de madeira
onde um homem foi morto

arranco como os atletas ao som de um disparao seco
mas sou apenas alguém que de noite
grita pela casa

há quem diga
a vida é um pau de fósforo
escasso demais para o milagre do fogo

hoje estive tão triste"





posted by Tomás at 12:05 da manhã


wquarta-feira, março 05, 2003


- SINTÉTICO EU?
É muito dificil ser sintético, controlar a torrente de ideias que brota dos nossos pensamentos enquanto escrevemos e que quer, ela também, realizar-se no papel. É uma virtude controlar o élan mental, como também é uma virtude ter essa mesma “torrente de ideias”.

Ser sintético, é escrever com amarras, é ter pesos nos pés, enquanto escrever livremente é voar com as ideias – desculpem a imagem pirosa.
É bom para quem lê, mas nem sempre para quem escreve.

Que fazer com a inspiração criadora que do próprio escrever advém? Escrever é um exercício diletante, e quem escreve deveria estar-se a cagar para quem lê. Mas não está. Quem escreve, escreve para ser lido e ler é um favor que o leitor faz ao autor.

É preciso encontrar um compromisso entre o ESCREVER, enquanto exercício mental e meio de desvelar o pensamento, e o LER, que não é (não deve ser) um exercício preguiçoso (mental, leia-se) que abdicou do esforço para compreender.

Fui sintético? Sinto que ficou tanto por dizer!

TomaZ


posted by Tomás at 12:30 da manhã


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Caro william:
mais uma vez esqueceste-te de carregar no "Publish" e as msg só são publicadas no Folhetim depois premido o botão "Publish" - como uma tradução livre do termo o indica ;)
boa viagem e vai dando noticias (podes inclusive aproveitar o Folhetim para um Diário Andaluz!!).
Abraços


posted by Tomás at 12:28 da manhã


wsegunda-feira, março 03, 2003


caro tomazio,
o seu amigo william parte uma vez mais para terras al-andaluzas...
primeiro granada, depois murcia... relembrar velhas cenas cenas de filmes de cowboys XXX....
alguma mensagem para o oriente?


posted by william at 7:14 da tarde


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Sobre o poema “Rente à Fala” de Eugénio de andrade, em Limiar dos Pássaros

Em “Rente à Fala”, Eugénio de Andrade parece querer dizer-nos que já não tem a capacidade de falar sobre a realidade. Perdeu a inocência - “perdera-me dessa música tão perto da fala (...) nós eramos o sorriso das crianças” - e as coisas deixaram de se mostrar nas palavras como, imaginamos, o faziam num tempo passado – “As metáforas da boca ensinam a morrer”. Já nada é rente à fala.
Apesar do poeta manter a esperança de que o real se reaproxime dele, da sua “casa” – “ver chegar o dia era tão bom” – reconhece que é no sentir – “o trabalho do olhar é sobre o corpo”- e não no falar, ou no dizer – “na boca outras manhãs hesitam em arder” – que esse reencontro é possível.
O encontro final do poeta consigo mesmo estará então na intimidade silenciosa e inefável – “tenho ainda de procurar a pedra próxima do silêncio onde dormir.”
Eugénio de Andrade é poeta, escreve, vive do que escreve e paradoxalmente parece dizer-nos que queria que morressem esses vazios das coisas que são as palavras – “sulcos abertos lábio a lábio” – parece dizer-nos que se pudesse escolheria a realidade à aparência sem realidade, a noite verdadeira à noite imperfeita – “a sombra desatada” – escolheria o silêncio à poesia.
Espero que não.


posted by Tomás at 12:08 da tarde


wdomingo, março 02, 2003


Ainda a proposito do escrever "a la mano" e das novas tecnologias, o MEC escreveu isto no DNa desta semana:
"Não sei se um dia haverá uma maneira de escrever sem a cansativa tarefa de pensar, carregar em muitas teclas individuais, tentar ter graça e as outras empresas francamente pré-históricas que a escrita ainda exige. Espero bem que sim."

Que imagem idílica: A máquina vence o homem, para descanso deste!

posted by Tomás at 3:47 da tarde


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Adoro o Carnaval Português.
Acho hilariante a completa inadaptação ambiental (para além da rítmica) das meninas em lantejoulas e mini-saias, abanando as carnes roliças de sorriso congelado na cara, ansiando secretamente pelo fim do desfile e pelo cobertor da cama, que vai finalmente acabar com o frio e com a vergonha de serem vistas a dançar semi-nuas nas avenidas da cidade pela vizinha do 4º esquerdo. E tudo isto ao som dos tambores marciais da banda dos bombeiros voluntários lá da terra. PAN PAN PANPANPANPAN! PAN PAN PANPANPANPAN!

posted by Tomás at 12:13 da tarde


wsábado, março 01, 2003


No DNA de hoje, o Pedro Rolo Duarte fala de uma patologia qualquer que o impede de escrever à mão seja o que for.
Comigo passa-se o mesmo. Primeiro porque escrevo mais rápido no teclado que à mão. A velocidade de caracol do escrever "redondinho" mete-se entre o que penso e o que escrevo, paralisando o primeiro, que é muito importante para que o segundo tenha algum interesse. Segundo porque a técnica do "desbastar" texto através do "delete/copy/past" permite uma muito melhor organização dos pensamentos, que o tradicional rascunho.
Tenho pena, mas é uma realidade: o papel tem os dias contados!


posted by Tomás at 3:01 da tarde