wFolhetim Iluminados
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wterça-feira, fevereiro 25, 2003


Mas a noticia do dia é mesmo esta:

«Sexo oral como instrumento de contracepção
"Faça sexo oral, não vaginal" é a máxima que as Escolas do Reino Unido
tentarão passar para os seus alunos numa tentativa de
diminuir os casos de gravidez indesejada entre adolescentes.»
http://www.dn.sapo.pt/noticia/noticia.asp?CodNoticia=90716&codEdicao=590&CodAreaNoticia=2

Resta saber como é que os putos vão controlar o desejo de "conhecer novos territórios nunca antes explorados"
Por via das dúvidas, se eu fosse o Mr.Blair propunha um novo slogan, menos conciso mas mais abrangente:
"Faça sexo oral, não vaginal. Se não aguentar, faça sexo anal"
ou então este bem menos "british":
"É Proibido ir à Cona"
hum hum.. ó meus amigos!


posted by Tomás at 11:49 da tarde


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"TENHO DÚVIDAS QUE A COREIA DO NORTE NÃO SEJA UMA DEMOCRACIA - pois se é do Nuorte carago!
(...)mas também julgo que não há presos políticos em Cuba."

Não, esta BOMBA não é uma deixa de um qualquer filme surrealista no FantasPorto!
Esta enormidade é um excerto de uma entrevista ao lider da bancada parlamentar do PCP, Bernardino Soares.
o resto da entrevista em:
http://www.dn.sapo.pt/noticia/noticia.asp?CodNoticia=90549&codEdicao=589&CodAreaNoticia=10
TomaZ




posted by Tomás at 11:41 da tarde


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Sexo no CCB com Os Fura Dels Baus

(Dia 14 e 15 de março no Coliseu do Porto)




"XXX" estreia em Março


Os avisos vêm no material de promoção e vão constar nos bilhetes do espectáculo "XXX", do grupo catalão La Fura Dels Baus, que o Centro Cultural de Belém acolhe entre 3 e 8 de Março: "Interdito a menores de 18 anos. Contém cenas de sexo explícito que podem ferir a sua sensibilidade."


Mas desengane-se quem pensa ir ver sexo ao vivo: o CCB não vai ter um espectáculo pornográfico, garante Francisco Motta Veiga, administrador com o pelouro cultural, que aluga o Grande Auditório à produtora Mandrake.


"Recuso totalmente a ideia de que há pornografia no espectáculo", diz Motta Veiga. "Há erotismo, que é um elemento saudável da vida." As garantias vêm de um grupo "de grande nível que tem apoios ministeriais". E acrescenta: "Compete-nos cumprir as regras legais relativamente aos avisos."


Os Fura apresentaram no CCB, em 1998, "F@usto versíon 3.0", já estiveram diversas vezes em Portugal e são conhecidos pelas suas produções provocadoras que apelam à participação do público.


"XXX", adaptação de "A Filosofia na Alcova" (1795), do Marquês de Sade, é apresentado como um espectáculo de teatro digital que "rompe com a hierarquia sexual imperante". É a história da iniciação sexual de uma jovem, Eugénie, que se entrega à libertinagem e perde os preconceitos. Os Fura resgatam da obra de Sade as personagens Madame Lula (aqui uma estrela de porno), Dolmancé (homossexual perverso) e Giovanni (hipócrita politicamente correcto).


Segundo o "El País", o público do Teatro Lorca, perto de Murcia, onde estreou, não ficou escandalizado com "o sexo mais ou menos explícito". Valentina Carrasco, assistente de direcção do espectáculo, diz: "Nas imagens vídeo há cenas de sexo mas mostramo-las de uma maneira diferente da que aparece nos filmes pornográficos. A finalidade é artística." Esclarece que não há cenas de sexo ao vivo em palco, mas admite que há momentos ambíguos onde espectador se pode sentir confuso. No entanto, "nunca se fica com a sensação de que se viu sexo no palco mas de que se assistiu a um truque muito bem feito."


O objectivo "é provocar a reflexão sobre certos princípios que não têm só a ver com a sexualidade mas sobretudo com a liberdade, criando emoções e tirando o espectador do seu lugar seguro." Acrescenta: "Há cenas que podem chocar, como há quem se possa chocar com a obra de Sade."


Em Espanha, diz, a recepção do público tem sido melhor do que previam, mesmo em cidades pequenas. Nesta produção, os Fura integram espectadores voluntários em algumas cenas de "XXX". Serão escolhidas as quatro pessoas que tiverem registado as fantasias mais libertinas na sua página de Internet. "XXX" segue para o Coliseu do Porto a 12 e 13 de Março.


© Público - Joana Gorjão Henriques
Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2003



posted by Tomás at 11:24 da tarde


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Eu não vejo o Acontece, vou procurar a divulgação cultural a outros media, como tal não posso falar do conteúdo do programa.
No entanto, no que toca ao seu objectivo principal, a divulgação cultural, a minha opinião é que 5 minutos no fim de um telejornal serviriam mais à divulgação cultural que 2 horas de Acontece (isto num mero raciocínio audiométrico), um comentário de 3 frases desconexas do sapientis sapiens Prof.Dr. Martelo no Jornal da TVI põe mais gente a ler que (imagine-se) uma recenção crítica em directo do próprio Lobo Antunes. E não vamos mais longe, esta nossa lista já deve ter posto mais gente a ler do que a dar a volta ao mundo (o que quer que seja que isto queira dizer - o..q..q..q..q..q..)

Isto só diz que a divulgação cultural, para o ser de facto e para atingir o máximo de pessoas possível, não pode ser já cultura. Tem de ser um passo antes da cultura, uma pré-cultura para que as pessoas a entendam. Ora isto é "pimbice".
Mas porque raio é que a TV (pública ou outra qualquer) tem que ensinar pacóvios a ler, a ver boas peças de teatro ou a ouvir musica com qualidade (eu insiro-me descomplexadamente nestes últimos pacóvios).
Dá-se uma importância desmedida à televisão e não se compreende que o primeiro passo para a cultura é deixar o sofá, a TV e ir procurar essa cultura por meios menos mediados. Leia-se, ouça-se, discuta-se, Aconteça-se.
TomaZ

posted by Tomás at 1:01 da manhã


wsábado, fevereiro 22, 2003



1.Existe um ponto comum entre o sr. Saddam e a "cultura" subsidiada do nosso querido Portugal?
Existe: o Governo não gosta de ambos.
Sobre o primeiro, assinou a "carta dos oito" e já reiterou repetidas vezes o apoio aos Estados Unidos, em caso de guerra.
Sobre a segunda, o Governo tem cortado a direito nas verbas, colocando em risco, por exemplo, o celebrado programa "Acontece", da RTP2.

As semelhanças, no entanto, terminam por aqui. No mais, tudo é distinto.
Na questão iraquiana, critica-se o Governo por não ouvir as "massas", que saem à rua em vibrante protesto em prol da "paz".
Em matéria de "cultura", insulta-se o Governo por se deixar conduzir pelas "massas", que apenas consomem lixo comercial.
Ou seja, e a acreditar na lenda, temos um Executivo que é surdo em matérias diplomáticas e "eleitoralista" em política cultural.
Ou temos, embora sem exclusividade, a característica de possuir "massas" diversas.
Umas reúnem o povo iluminado e consciente, capaz de suportar manifestações, vigílias e o sr. Carvalho da Silva para garantir a harmonia do mundo.

E depois há a ralé silenciosa, que prefere a casa do Toy à vivenda do Saramago, e que se torna pasto abundante das piores demagogias.
São as "massas" em movimento "versus" as "massas" imóveis – estas, se possível, no sofá da sala, em frente ao televisor.
Marx não previu tal evolução, mas a verdade é que o conceito de "opinião pública" tem muito que se lhe diga.

Quando o dr. Rosas se deleita com as romarias do passado dia 15, refere-se justamente ao público que tem opinião – idêntica à dele.
Quando o dr. Rosas e demais acólitos da "cultura" atacam os drs. Sarmento e Roseta, estão a atacar o público que não tem opinião
– pelo menos idêntica à deles. Para os fascistas, comunistas e democratas afins que lideraram os desfiles de sábado,
o povo é bom na medida em que lhes seja útil, e descartável em hipótese contrária. Aliás, sempre que foram poder,
este elevado princípio foi vastamente exercitado.

2.Não foi notícia mas, numa escola do Grande Porto, em Fevereiro de 2003,
os professores de uma turma do primeiro ciclo pretenderam usar fotografias tipo passe dos alunos, para a construção de um pobre "site" na Internet.
Todos os respectivos pais recusaram autorizar o intento. O motivo, mais sussurrado que assumido?
A "pedofilia", sobre a qual logo correram no bairro histórias sinistras e "verídicas", sempre envolvendo crianças, retratos e computadores.
Não se pode negar a influência dos "media", principalmente das televisões, no corrente processo de histeria colectiva,
de que o caso acima é somente um exemplo. Mas é pouco provável que os habituais sermões do dr. Sampaio sejam o melhor remédio.
Por um lado, e convém repeti-lo, porque não se imagina uma imprensa livre sem excessos mais ou menos frequentes.
Por outro, porque as sugestões de "auto-regulação" jornalística costumam, regra geral, preceder as sugestões de regulação pura e simples,
que ainda há trinta anos se praticava mediante lápis azul e polícia. Dito e feito, com uma diferença de curtas horas,
à última prédica do dr. Sampaio (mata) seguiu-se o prof. Cavaco (esfola), que decidiu lembrar a necessidade de se "impor algumas regras".
É curioso que o homem que nunca se engana julgue ter-se enganado precisamente quando possuiu inteira razão,
isto é, quando abriu os canais televisivos à concorrência.
Talvez o prof. Cavaco recorde com saudade a época em que as estações transmitiam ficção de qualidade e jornalismo de ficção.
A "informação" obediente e disciplinada, outrora o prato forte da RTP e da maioria dos jornais e rádios, serve na perfeição qualquer governo.
Por mero acaso, não vale de muito à democracia e ao País, mas, para um estadista da estirpe do prof. Cavaco,
tais pormenores não se levam em grande conta.
Alberto Gonçalves


posted by Tomás at 1:56 da manhã


wquinta-feira, fevereiro 20, 2003


São os dois no Coliseu.
Para os Gotan não deves ter problemas de bilhetes (plateia de pé),
mas os Fura del Baus estão quase esgotados,
se não te despachas arriscas-te a ir para o galinheiro.
Abraços

posted by Tomás at 11:28 da tarde


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...oh, essas famosas tostas mistas... quantas saudades!
olha lá, gotam project vai ser onde? eu quero!
aqui fica um abraço sobrenatural para o maior dos mortais, tio más
william

posted by william at 6:46 da tarde


wquarta-feira, fevereiro 19, 2003


Roam-se de inveja meus amigos... Já tenho bilhetes para os Gotan Project no dia 1/3 e para os Fura no dia 14/3
nha nha nha nhanhanha!!! :)
depois prometo que vos conto tudo.
TomaZ

posted by Tomás at 12:17 da manhã


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Caro Diogo:
Temo que não! Com esse tal TomaZ Green Morton só tenho em comum o nome.
Os meus poderes são muitos mas são outros.
Vivo de facto no presente, mas com o "futuro no passado".
Não represento nem uma nova espécie humana, nem uma nova civilização, mas antes uma nova marca de produtos de higiene pessoal.
Os meus prodigiosos poderes não constituem mistério algum, pois ninguém se preocupa com eles.
E a única matéria que transformo é o fiambre, o queijo e o pão em tostas mistas.
TomaZ

posted by Tomás at 12:15 da manhã


wterça-feira, fevereiro 18, 2003


Será este o nosso 'host'?

'Quem é Tomaz? Quais são os seus poderes? Poderá ele viver em simultaneo, o passado, o presente e o futuro? Representará uma nova especiae humana e uma nova civilização? Os prodigiosos poderes de Tomaz Green Morton constituem um mistério que desafia qq explicaçãoi racional e cientifica: Como é possivel a um ser humano transformar a matéria ou influenciar, de forma determinante, os próprios acontecimentos?'


Tomaz!? És Tu?!?

posted by Diogo Barbosa at 11:29 da manhã


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Será que o fim do socialismo significa o fim da história?
Que alternativa ao capitalismo, pergunta Eduardo Lourenço?
"Com a queda do Muro de Berlim e o fim da experiência soviética, o socialismo como o mito e a esquerda que dele vivia tornou-se um envelope vazio. Pior do que isso, o seu conteúdo, agora sem emprego histórico concreto, foi integrado, na medida do possível, na mitologia do capitalismo, única prática universal da humanidade, como patologia dela ou versão de sonhos que só o capitalismo concebe e alcança".

Será o destino do socialismo, o de ser uma muleta do capitalismo todo-poderoso?
EL parece dizer que sim!!
O resto do artigo em: http://jornal.publico.pt/2003/02/18/EspacoPublico/O04EDU.html

posted by Tomás at 11:25 da manhã


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A "facadinha nas costas" de que falo em baixo pode ser esta: servindo-nos um mundo de simulacros (alegria simulada,
sentimentos simulados, sofrimentos simulados, justiça simulada, investigação jornalistica simulada de investigação criminal,
cultura simulada) a televisão apenas está a servir de pala para os nossos olhos, de almofada para o cú,
confortável, mas inepta para aparar uma queda na realidade dura.
Sem aforismos vagos, leia-se o que disse o Bertrand Russell acerca disto.

- Pensa que as pessoas gostam de guerras?

-Um grande número gosta. Foi um dos factos que me impressionou em 1914 quando começou a Primeira Grande Guerra. Todos os meus amigos pacifistas, com os quais haveria depois de trabalhar, estavam convencidos de que as guerras eram impostas à população pelas maquinações satânicas dos governos, mas andei pelas ruas de Londres, olhei para a cara dos transeuntes e verifiquei que na realidade andavam todos mais felizes do que antes da guerra ter começado. Disse isso mesmo em letra de forma e provoquei profundos exames de consciência entre os meus amigos pacifistas, que não gostaram que o tivesse dito. Continuo convencido de que um grande número de pessoas aprecia a guerra, desde que não lhes passe muito pela porta nem seja demasiado feroz; quando a guerra se instala no nosso próprio território já não é tão agradável.

A minha Concepção do Mundo, de Bertand Russel - Brasilia Editora (1970)



posted by Tomás at 2:15 da manhã


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A Síndrome do Gás Hilariante do EDUARDO CINTRA TORRES
+ Facadinha nas Costas do TomaZ

Os apresentadores de entretenimento sofrem quase todos da síndrome do gás hilariante: Serenela Andrade e Isabel Angelino são dois expoentes absolutos da tele-euforia, mas estão bem acompanhadas por Manuel Luís Goucha, Teresa Guilherme, Jorge Gabriel, etc.

Ver de novo Catarina Furtado na apresentação de um concurso (Operação Triunfo, RTP) deixou-me prostrado. Não que o faça mal: é apessoada e vistosa e sabe fazer perguntas. Então o que será que me cansa?

É a máscara do riso, o som do riso, a dentadura do riso, o gesto em riso, o corpo em riso, a pergunta em riso, o nariz em riso, a piadinha em riso. É o risinho, a risota, a risada, a gargalhada nervosa. A felicidade excessiva. Cansa-me. O defeito é meu, eu sei, mas cansa-me.

A maior parte dos apresentadores de entretenimento parece que apresentam sempre os programas sob o efeito de éter, (CH3CH2)2O, ou de dióxido de nitrogénio, NO2. São os chamados gases hilariantes. Catarina Furtado é apenas um dos apresentadores de TV que parece sofrer da síndrome do gás hilariante: ela manifesta uma euforia exagerada face às circunstâncias. Em termos médicos, poderíamos dizer que este "estado expansivo de humor pode aparecer como reacção emocional a alguma vivência muito agradável... a nível de uma situação real". Manifesta-se como "uma reacção compatível, mas desproporcional ao evento causador".

No caso dos apresentadores, não se trata, felizmente, de uma patologia, mas é ainda assim um comportamento social muito contagioso: não só influencia as audiências e os potenciais futuros conhecidos que em casa bebem nos ecrãs todos os gestos dos seus ídolos, como é comum aos participantes em certo tipo de programas.

O gás hilariante usava-se em espectáculos e como droga leve - uma espécie de charros do século XIX. Ainda não havia televisão. Pessoas ilustres como o poeta Coleridge participavam no que ficou conhecido na Inglaterra e EUA por "ether parties" ou "ether frolics", reuniões de amigos em que se inalava éter ou dióxido de nitrogénio. Um dos homens que organizava espectáculos públicos com gases hilariantes era Samuel Colt, o mesmo que inventou o revólver em 1836. Ainda jovem, na fábrica do pai, inalava gás hilariante quando estava chateado.

Um anúncio de imprensa do século XIX a uma demonstração de dióxido de nitrogénio algures nos EUA mais parece a autopromoção de um programa de entretenimento televisivo do início do século XXI: "O efeito do gás é fazer com os que o inalam se riam, cantem, dancem, falem ou lutem, etc., de acordo com o traço principal do seu carácter. Eles parecem reter suficiente consciência para não dizerem ou fazerem coisas de que teriam ocasião para se arrepender." A TV, que também nos chega pelas chamadas "ondas do éter", é hoje a organizadora das "ether frolics" da sociedade inteira: o gás hilariante chega a todos os lares.

Os apresentadores de entretenimento sofrem quase todos da síndrome do gás hilariante: Serenela Andrade e Isabel Angelino são dois expoentes absolutos da tele-euforia, mas estão bem acompanhadas por Manuel Luís Goucha, Teresa Guilherme, Jorge Gabriel, etc. Há também apresentadores que apenas têm acessos de gás hilariante, como Eládio Clímaco, que quando deixa a locução de documentários e passa a apresentar espectáculos se transforma em Eládio Clímax.

Os estados de euforia dos apresentadores não são todos idênticos; mudam consoante as pessoas ou os momentos, naturalmente. Em geral, escolhem o registo da "euforia simples", que se traduz "por um estado de completa satisfação e felicidade". Toda a gente tem de ser feliz como eles. Quem não for ou não estiver feliz é socialmente condenável. Não merece estar na televisão. Os convidados dos apresentadores eufóricos têm de munir-se, eles mesmos, da síndrome do gás hilariante.

Euforia, risos de plástico, dentaduras superbrancas, lágrimas furtivas, emoções, muitas emoções. A expressão da emotividade, tão antiga quanto o ser humano, atingiu na primeira metade do século XX um novo patamar: a comercialização das emoções. O primeiro a notar a transformação da emoção em mercadoria terá sido o sociólogo americano C. Wright Mills, em 1951 - precisamente na mesma altura em que a TV e o plástico entravam nos lares e na vida quotidiana. Mas a verdade é que Karl Marx (sempre ele!) já punha a hipótese da mercantilização de coisas etéreas no seu "Capital": "Coisas que em si e por si mesmas não são mercadorias, coisas como a consciência, a honra, etc., podem ser vendidas por quem as possui e desse modo adquirir a forma de mercadorias através do seu preço."

O primeiro estudo das emoções como geradoras de emprego e caracterizadoras da profissão foi realizado em 1983 com hospedeiras de bordo (Arlie Hochschild, "A Gestão do Coração"). O autor argumentava na linha de Marx e Mills, considerando que a experiência de trabalho emocional associada a muitas profissões com atendimento ao público acrescentava uma nova dimensão da exploração dos trabalhadores nas sociedades capitalistas.

A evolução recente do desenvolvimento humano parece indicar que não é exactamente assim: uma investigação de Amy Warton, em 1993, demonstra que os trabalhadores emocionais (como as hospedeiras) não são mais susceptíveis do que os outros trabalhadores "de sentir as suas emoções como não autênticas". O fingimento emocional é assumido como autêntico, torna-se real, parte da personalidade do indivíduo. Os concorrentes da Operação Triunfo dirão, como uma vencedora espanhola, que se sentem "eles mesmos", quando, afinal, representarão um outro eu, da mesma forma que Catarina Furtado é ela mesma quando entra em síndrome de gás hilariante.

Vivemos uma época em que muita gente da e na TV tem de se comportar como as sempre felizes hospedeiras de bordo, a demonstrar como se põe a máscara ou a empurrar os pesadíssimos carrinhos por corredores estreitos a dez mil metros de altitude. A felicidade tornou-se obrigatória, como o indica o "slogan" tão divulgado "façam o favor de ser felizes".

Os apresentadores, os concorrentes e os participantes nos programas de entretenimento entram em período de "ether frolics" logo que o sinal da câmara indica que estão no ar. É uma canseira, fico prostrado e a pensar que, para espectadores no mesmo estado de espírito que eu, a TV, que pensa em todos nós, deveria proporcionar-nos programas apresentados por indivíduos antipáticos, que não se riam por tudo e por nada e que digam o que ninguém quer ouvir. Pessoas como o Jack Nicholson de "Melhor é Impossível", fantástico personagem construído como o inverso das pessoas que "fazem o favor de ser felizes". Mas, claro, isso pode ser também apenas uma outra forma de representação.
ECT

+

TomaZ
A mim também me irrita toda essa felicidade televisiva simulada.
Irrita-me porque é falsa, porque é pimba, comercial e brega.
Soa-me a uma reminiscência pop, daqueles familiares "Sorriiiiam" apregoados por uma tia menos sorridente, porém solícita, armada em fotógrafa de ocasião, por ocasião do natal ou dos anos da avó, mas sem a desculpa de se ter que apresentar para a posteridade a imagem de um agregado unido e feliz, nem que seja apenas para gáudio dos mais velhos.
Aqui (na televisão) o sorriso forçado dos apresentadores e dos concorrentes, dos entrevistadores e dos entrevistados, serve apenas para vender o SuperPop Limão e o Evax Tanga no intervalo dos comerciais.
Não sei porquê (sei muito bem porquê) estes momentos de sorriso amarelo, de plástica empatia decadente entre telespectadores e televisionados soam-me sempre a abraço amigo seguido de facadinha nas costas.
Hoje ouvi alguém dizer que achava a televisão portuguesa muito educativa, pois sempre que começava um programa, ia para o quarto ler um livro. Nem mais!
Abaixo a televisão portuguesa! Abaixo a pimbalhada histriónica! Abaixo a cultura jorgegabrielesca! Vivam os Iluminados! Vivam os Iluminados! Vivam eles!







posted by Tomás at 1:43 da manhã


wsexta-feira, fevereiro 14, 2003


Claro que sim!
Sábado às 14 lá estarei com o meu Filosofia da Linguagem
e uma lapiseira só para provocar.
TomaZ

posted by Tomás at 10:09 da manhã


wquinta-feira, fevereiro 13, 2003


Sempre temos MANIF para este fds?


posted by Diogo Barbosa at 8:22 da tarde


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mau... os bilhetes para as 5ª´s de leitura estão esgotados.
algo que não é inédito, pois eles insistem em fazer os recitais
naquela minuscula sala para 60 pps.
acho muito bem que não se perca o ambiente intimo q uma sala pequena transmite,
mas então que façam fins de semana de leituras: 5ª, 6ª, sábado e domingo.
TomaZ

posted by Tomás at 1:39 da tarde


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hoje às 22 no Teatro Campo alegre... grupo COPO.
os gajos são divertidissimos a ler (ups.. a dizer) poesia.
se bem os conheço vao de certeza "sacar" um ou dois do cezarinny.
a não perder
TomaZ

posted by Tomás at 10:04 da manhã


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caro tomás,
excelente ideia a da manifestação literária!
infelizmente não poderei comparecer porque parto dentro de poucas horas para Madrid,
mas asseguro que dedicarei pelo menos 7 minutos à leitura de um qualquer panfleto na
casa-de-banho de um café madrileño.
Boas leituras
William

posted by william at 2:20 da manhã


wquarta-feira, fevereiro 12, 2003


também não posso ir à manif no domingo.
TomaZ, conta comigo no sábado.
podemos sentar-nos à mesma mesa?
Rupert

posted by Rupert at 11:48 da tarde


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De facto o dia que escolhi (Sábado) não foi o melhor! Não me lembrei que Domingo a entrada é de graça.
Domingo não vou estar cá, mas a manif. pode ser estendida no tempo por mais 24h.
Penso que o gerente da casa de chá vai ficar satisfeito por o saber.
Proponho que quem possa ir no sábado vá no sábado
quem possa ir no domingo, pois no domingo vá.
o pretexto é a leitura, o livro a arma
saudações revolucionárias
TomaZ

posted by Tomás at 11:10 da tarde


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Não se esqueçam da manif literária no sábado dia 15, na casa de chá de Serralves.
Juntos Leremos!!
TomaZ


posted by Tomás at 12:50 da manhã